MotoGP – Miguel Oliveira soma mais pontos em dia de estreia de Rins

Alex Rins dá à Suzuki uma merecida vitória depois de dura batalha com Valentino Rossi. Miguel Oliveira arranca mais uma prestação convincente e garante mais dois pontos para a sua conta pessoal. Nas Moto2, Thomas Luthi foi o vencedor, enquanto nas Moto3 foi Aron Canet.

Estamos a assistir a uma temporada que promete vir a ser, a todos os títulos, verdadeiramente memorável! Após o Grande Prémio das Américas, a categoria de MotoGP já tem três vencedores diferentes nas três primeiras corridas do ano, pois Alex Rins conseguiu a sua primeira vitória da carreira na categoria rainha, dando à Ecstar Suzuki a primeira vitória desde o GP da Grã-Bretanha de 2016.

Mas começamos pela corrida do português Miguel Oliveira.

O “rookie” da Red Bull KTM Tech3 sentiu algumas dificuldades num circuito onde ainda não tinha rodado com uma MotoGP. Ainda assim, Miguel Oliveira conseguiu ir melhorando ao longo dos treinos, embora a qualificação o tenha deixado na 18ª posição da grelha de partida. Arrancar tão atrás no pelotão de MotoGP nunca é uma situação fácil de gerir, principalmente nos primeiros momentos, mas Oliveira manteve a calma e não se envolveu em batalhas inúteis, pois sabia que a corrida iria ser bastante longa e muito ainda iria acontecer.

Depois de descer até 21º, Miguel Oliveira recuperou uma posição ainda na primeira volta. Pouco tempo depois já o piloto da Tech3 estava a rodar em 18º e continuava a pressionar o grupo de pilotos à sua frente, nomeadamente Johann Zarco (Red Bull Factory KTM). Sem cometer erros, o português rapidamente foi capitalizando de azares alheios, e já no terço final da corrida de MotoGP estava confortávelmente instalado em 14º.

Com Zarco mesmo à sua frente, Oliveira tinha a oportunidade de voltar a ser melhor do que o piloto de fábrica da KTM, mas nas voltas finais o francês manteve a distância e não se deixou surpreender pelo “rookie” português que assim cortou a meta em 14º, somando mais dois pontos para as contas do campeonato de MotoGP.

Quanto à luta pela vitória, Marc Marquez (Repsol Honda) arrancou da “pole position” e não se deixou bater por Valentino Rossi (Monster Energy Yamaha) no momento do arranque. Rossi sabia que se deixasse Marquez na frente sozinho já não o conseguiria apanhar, e o italiano tenou de tudo para acompanhar o grande favorito à vitória no Circuito das Américas. Mas não conseguia, e Marquez, de forma impressionante, registava voltas rápidas atrás de voltas rápidas.

Mas nem sempre tudo corre bem para Marquez, e hoje foi uma dessas vezes. Quando seguia isolado na liderança com mais de seis segundos de vantagem sobre Rossi, o campeão de MotoGP que ia a caminho da sétima vitória consecutiva no Texas, cometeu um erro a 12 voltas do fim. Marquez perdeu a frente da sua RC213V na travagem mais forte do circuito texano, ainda tentou recuperar da queda mas não conseguiu colocar a sua Honda a trabalhar.

Valentino Rossi estava então na liderança da corrida de MotoGP, e com boas possibilidade de voltar a vencer novamente. A sua última vitória data do GP da Holanda em 2017.

Mas a verdade é que Rossi não estava sozinho. Desde o primeiro momento que Alex Rins (Ectsar Suzuki) se conseguiu desenvencilhar de Jack Miller (Pramac Ducati) – o australiano fez a corrida praticamente toda sem ninguém ao pé dele – que o espanhol da Suzuki pressionou Rossi a cometer um erro, e mesmo com o piloto da Yamaha a evitar erros de maior, e já depois da queda de Marquez, atacou a liderança numa manobra bem calculada e que deixou Rossi sem resposta.

A quatro voltas do fim Alex Rins estava então na frente da corrida do GP das Américas, e Rossi via agora a vitória, e liderança do campeonato, fugir à sua frente. Valentino Rossi ainda tentou por duas vezes responder a Alex Rins, mas o espanhol da Suzuki, tendo a hipótese de se estrear nas vitórias em MotoGP, não se deixou enganar e sem cometer qualquer erro cortou a linha de meta na frente de Valentino Rossi, com Jack Miller a fechar o pódio no Circuito das Américas.

Destaque pela positiva para a prestação de Andrea Dovizioso. O piloto da Mission Winnow Ducati arrancou de 13º e sabia que o circuito texano não é favorável à sua Ducati. Mas Dovizioso não se atemorizou, e quase sem se dar por isso, “Desmo Dovi” estava em quarto lugar, e até final conseguiu ainda assustar Miller. Com o quarto posto, Andrea Dovizioso sobe à liderança da classificação.

Pela negativa o destaque vai, para além de Marc Marquez que exagerou num momento em que tinha tudo controlado, para a prestação de Jorge Lorenzo. O segundo piloto da Repsol Honda tinha a missão de “salvar” a honra da equipa, mas não só não se mostrou competitivo, como depois a sua RC213V voltou a sofrer um problema técnico (a segunda vez este fim de semana) levando assim ao abandono. A Repsol Honda não viu nenhum piloto terminar a corrida.

Nas contas do campeonato temos então Andrea Dovizioso na liderança com 54 pontos, Valentino Rossi em segundo com 51, Alex Rins sobe a terceiro com esta vitória e tem 49 pontos, enquanto Marc Marquez desde de líder a quarto classificado com 45 pontos somados.

Quanto a Miguel Oliveira, e com os dois pontos somados no GP das Américas, aos quais se juntam os cinco do GP da Argentina, o piloto da Red Bull KTM Tech3 encontra-se em 16º, com um total de 7 pontos, empatado com o experiente Jorge Lorenzo.

Moto2

Na categoria intermédia, as primeiras voltas do GP das Américas foram caóticas! Muitas quedas, muitos toques, muitas ultrapassagens mais físicas, deixaram a classificação totalmente baralhada e com dois potenciais vencedores fora de prova: Xavi Vierge (EG 0,0 Marc VDS) e Lorenzo Baldassarri (Flexbox HP40).

Quanto à luta pela vitória, depois de um domínio inicial de Alex Marquez (EG 0,0 Marc VDS), foram os dois pilotos da Dynavolt IntactGP a darem cartas. Thomas Luthi sentia que tinha forças e talento para vencer novamente no Mundial de Velocidade (última vitória do suíço foi em 2017), e Marcel Schrotter não queria deixar o seu companheiro de equipa com todos os louros.

Os companheiros de equipa trataram de passar Alex Marquez, e principalmente Luthi foi impondo um ritmo demolidor para assegurar que seria o primeiro a cortar a meta, como aconteceu. Mas atrás Schrotter também se afastou rapidamente de Marquez, com o espanhol a perder o pódio para Jorge Navarro, que aos comandos de uma moto Speed Up, conseguiu assim o seu primeiro pódio nas Moto2.

Nesta categoria destaque ainda para a excelente prestação de Mattia Pasini. Regressado ao Mundial Moto2 em substituição de um piloto lesionado, Pasini, que nunca tinha rodado com as novas motos de motro Triumph, depois de se qualificar facilmente dentro dos dez melhores, fez ainda melhor na corrida e terminou em quarto lugar! Excelente a prestação do piloto italiano que, se calhar, pode ter aqui encontrado uma segunda vida e ser convidado novamente para competir nas Moto2.

Na classificação do campeonato, e apesar de não ter somado qualquer ponto, Lorenzo Baldassarri consegue ainda manter-se na liderança com um total de 50 pontos, mais três que Marcel Schrotter e com Thomas Luthi em terceiro com 45 pontos somados até ao momento.

Moto3

Na categoria mais baixa do Mundial de Velocidade, Aron Canet (Sterilgarda Max Racing Team KTM) voltou a subir ao lugar mais alto do pódio, depois de uma batalha que, como habitualmente, foi intensa e levou a muitas quedas.

Canet foi quem melhor aguentou a pressão e levou de vencida a corrida das Moto3, na frente de Jaume Masia (Bester Capital Dubai KTM), enquanto o lugar mais baixo do pódio ficou na posse de Andrea Migno (Bester Capital Dubai KTM). O fabricante austríaco garantiu assim um pódio totalmente “laranja”, enquanto Canet deu à nova equipa liderada pelo antigo piloto Max Biaggi a sua primeira vitória mundialista. Esta foi também a primeira vitória de Aron Canet desde o GP da Grã-Bretanha em 2017.

Na classificação do Mundial Moto3, Jaume Masia assume a liderança com um total de 45 pontos, em igualdade pontual com Aron Canet, enquanto Lorenzo Dalla Porta está em terceiro com 32 pontos, também em igualdade pontual com Niccolo Antonelli.

Depois deste início de temporada do Mundial de Velocidade fora da Europa, o campeonato estará de regresso ao Velho Continente nos próximos dias 3 a 5 de maio, para a realização do Grande Prémio de Espanha no mítico circuito de Jerez de la Frontera.

andardemoto.pt @ 17-4-2019 11:32:59


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