MotoGP Qatar – Dovizioso dá vitória à Ducati e Miguel Oliveira faz recuperação fantástica!

Piloto português Miguel Oliveira conseguiu um excelente 17º lugar depois de começar de último na corrida de MotoGP no Qatar, corrida ganha por Andrea Dovizioso e Ducati. Nas Moto2, Lorenzo Baldassarri foi o grande vencedor na estreia dos motores Triumph, enquanto nas Moto3 o japonês Kaito Toba estreou-se no lugar mais alto.

Grande recuperação de Miguel Oliveira garante 17º posto na corrida de MotoGP em Losail

Grande recuperação de Miguel Oliveira garante 17º posto na corrida de MotoGP em Losail

Ainda com as emoções bem à flor da pele pela estreia de Miguel Oliveira numa corrida de MotoGP, a primeira análise à corrida do piloto luso natural de Almada é que a prova inaugural do calendário decorreu até melhor do que muitos vaticinavam. Miguel Oliveira terminou a sua primeira corrida na categoria rainha com um 17º posto, mas conseguiu durante largos minutos ser o melhor piloto KTM em pista!

Com um bom arranque, em que infelizmente teve de partir da última posição da grelha de partida devido a ter deixado o motor da sua KTM ir abaixo, Miguel Oliveira e a sua KTM RC16 da Red Bull KTM Tech 3 rapidamente se instalaram no miolo do pelotão de MotoGP, discutindo travagens e ultrapassando pilotos já bem mais experientes. Aos poucos a moto austríaca #88 foi subindo de posições, tendo chegado a “morder os calcanhares” de Aleix Espargaró (Gresini Aprilia) que eventualmente viria a terminar em 10º após passar Franco Morbidelli (Petronas Yamaha SRT) nos momentos finais.

Miguel Oliveira a rodar à frente de Andrea Iannone

Miguel Oliveira a rodar à frente de Andrea Iannone

Infelizmente para as aspirações do jovem português, que continua a fazer história para as cores nacionais no motociclismo de competição, com o passar das voltas foi sendo suplantado primeiro por Pol Espagaró (Red Bull KTM Factory), depois por Jorge Lorenzo (Repsol Honda), Andrea Iannone (Gresini Aprilia), Johann Zarco (Red Bull KTM Factory) e ainda por Fabio Quartararo (Petronas Yamaha SRT), com o jovem francês a deixar calar o motor da sua Yamaha M1 antes da volta de aquecimento e a ter de perder o seu 5º lugar na grelha de partida, arrancando depois do fim do “pit lane” de Losail.

O 17º lugar claramente não coloca em causa todo o trabalho e evolução que Miguel Oliveira tem vindo a realizar com a Red Bull KTM Tech 3, até porque o resultado acaba influenciado pelo desgaste do pneu traseiro, e mesmo não tendo atingido o objetivo que o próprio tinha assinalado após a qualificação, que era somar pontos já nesta corrida de estreia em MotoGP, o jovem luso sai de Losail com excelentes indicações de performance em corrida, algo a que já nos habituámos, principalmente na temporada passada quando correu em Moto2.

“A corrida foi bastante interessante, o motor foi abaixo na grelha, por isso tive de regressar ao pit lane e depois arrancar de último. Mas de qualquer forma, isso não afetou a nossa corrida. Tive um bom arranque, uma boa primeira volta, e por isso depois disso fiquei a tentar manter-me atrás de um grupo com o Nakagami e com o Aleix Espargaró. Após sete ou oito voltas, senti uma grande quebra no pneu, a deslizar e a vibrar muito na traseira, e pensei que ia explodir.  Obviamente que não podia fazer nada. Estou desapontado porque eu sei que podia ter terminado nos pontos se isto não acontecesse. Estou feliz por ter terminado a corrida, diverti-me muito e consegui informações importantes. Agora vamos para a ronda seguinte”, afirmou Miguel Oliveira depois desta corrida de estreia em MotoGP.

Quanto à luta pela vitória, esta foi uma corrida bastante animada, como aliás já se previa. Andrea Dovizioso (Mission Winnow Ducati) desde cedo se mostrou muito à vontade com o ritmo imposto, mas Alex Rins (Ecstar Suzuki) e Marc Marquez (Repsol Honda) também estavam na discussão pela liderança.

Com inúmeras trocas de posições no grupo de oito pilotos que estava a discutir os lugares do pódio, a gestão do desgaste do pneu traseiro acabou por ser determinante nos momentos finais. Dovizioso foi aguentando os ataques de Rins e de Marquez, e foi precisamente Rins que ao exagerar numa travagem deixava fugir os dois rivais, abrindo ainda a porta a Cal Crutchlow (LCR Castrol Honda) para ocupar o lugar mais baixo do pódio.

Na última volta Marc Marquez puxou dos galões de campeão de MotoGP e tentou por todos os meios suplantar o seu maior rival em pista, mas a Ducati de Dovizioso estava perfeita,  e Marquez teve de desgastar ainda mais o seu pneu para conseguir alinhar uma manobra na última curva, o movimento habitual do piloto da Repsol Honda.

Com Dovizioso já a contar com o ataque feroz de Marquez na última curva, o italiano da Ducati deixou a porta ligeiramente aberta, Marquez meteu a sua Honda RC213V por dentro, mas com demasiada velocidade foi obrigado a alargar trajetória. Na resposta, “DesmoDovi” rapidamente acelerou a fundo e entrou na reta de Losail na frente, com Marquez a tentar um tudo por tudo final, sem resultados práticos, pois o vencedor da primeira corrida do ano acabou mesmo por ser Andrea Dovizioso e a Ducati. Marc Marquez, ainda sem estar a 100% (de acordo com o próprio), sai de Losail com o segundo lugar, e Cal Crutchlow também se revelou muito satisfeito com o 3º lugar no final da corrida qatari, depois dos sacrifícios que passou ao longo dos últimos meses a curar a lesão na perna.

Lorenzo Baldassarri foi o primeiro a vencer nas Moto2 com motor Triumph

Lorenzo Baldassarri foi o primeiro a vencer nas Moto2 com motor Triumph

Nas Moto2, o italiano Lorenzo Baldassarri (Flexbox HP40) logrou a sua terceira vitória na categoria intermédia, e inscreve o seu nome como o primeiro a vencer nesta nova era dos motores tricilíndricos Triumph 765cc.

Apesar de dominar e liderar a corrida de Moto2 praticamente desde início, Baldassarri ainda teve de defender-se do batalhador Tom Luthi (Dynavolt Intact GP), que fazendo uma corrida de trás para a frente, nas últimas três voltas chegou-se à traseira da moto do líder da corrida e pressionou para tentar levar Baldassarri ao erro.

O piloto suíço fez de tudo para conseguir cruzar a linha de meta à frente, mas Baldassari manteve a calma até final, e sem erros de maior, conquistou mesmo a vitória na corrida inaugural da temporada e com uma vantagem de apenas 0.026s sobre Luthi, que este ano regressa às Moto2 depois de um ano para esquecer em MotoGP.

Se a discussão pelo primeiro lugar foi intensa, o mesmo se poderá dizer da batalha pelo terceiro lugar: Remy Garner (ONEXOX TKKR SAG Team) e Marcel Schrotter (Dynavolt Intact GP) deixaram para a última volta a decisão de quem subiria ao lugar mais baixo do pódio. Garner conseguiu ocupar essa posição já durante a última volta, mas o alemão conseguiu colocar-se colado à traseira do australiano à saída da última curva, e aproveitando o cone de ar, roubou o terceiro lugar por apenas 0.002s!

Kaito Toba volta a levar a bandeira japonesa ao lugar mais alto do pódio numa corrida do Mundial de Velocidade

Kaito Toba volta a levar a bandeira japonesa ao lugar mais alto do pódio numa corrida do Mundial de Velocidade

Na categoria mais baixa do Mundial de Velocidade, o jovem japonês Kaito Toba (Honda Team Asia) fez história. Não só conseguiu somar a sua primeira vitória em Moto3, como Toba torna-se no primeiro piloto a vencer na categoria mais baixa deste mundial após a vitória de Tomoyoshi Koyama no GP da Catalunha em 20017.

A história da corrida até poderia ter tido outro final, caso o italiano Romano Fenati (Snipers Honda) não tivesse decidido cumprir, por sua vontade, pois apenas tinha recebido um aviso dos comissários, a nova penalização de “volta longa” numa altura em que estava a discutir a primeira posição com Toba, Lorenzo Dalla Porta (Leopard Racing Honda) e Aron Canet (Sterilgarda Max Racing Team KTM). Com essa decisão, Fenati desceu muitas posições e deixou de contar para a discussão da vitória.

Indiferentes a tudo isto, Kaito Toba, Dalla Porta e Aron Canet foram puxando atrás de si um longo comboio de jovens pilotos das Moto3, com as posições dentro do grupo da frente a mudarem praticamente de curva em curva, e com algumas quedas a criarem alguns espaços entre os pilotos.

Lá na frente, o trio composto por Toba, Dallar Porta e Canet conseguia uma ligeira vantagem sobre os restantes à chegada da última volta. A vitória seria sempre de um deles, mas Canet e a sua KTM pareciam estar ligeiramente em desvantagem, e isso impediu o espanhol de ir além do terceiro lugar.

A vitória ficou então decidida entre Toba e Dalla Porta. O italiano chegou à curva 16 e à reta da meta em primeiro, mas o japonês, campeão da Asia Talent Cup, aproveitou da melhor forma o efeito de aspiração, colou-se à traseira da Honda do italiano e num último esforço conquistou a almejada vitória.

A segunda ronda do calendário do Mundial de Velocidade será nos dias 29 a 31 de março, em Termas de Rio Hondo, na Argentina.

Fonte: www.andardemoto.pt

@ 11-3-2019 10:48:19


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